{"id":1763,"date":"2013-08-11T16:42:19","date_gmt":"2013-08-11T16:42:19","guid":{"rendered":"http:\/\/balbucio.com\/?p=1763"},"modified":"2013-09-25T17:03:53","modified_gmt":"2013-09-25T17:03:53","slug":"requiem-o-castigo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/balbucio.com\/?p=1763","title":{"rendered":"R\u00e9quiem &#8211; O castigo"},"content":{"rendered":"<p>Data: 28\/10\/2009<br \/>\nLocal: Casa da Bela Vista<br \/>\nEvento: R\u00e9quiem para meus pais<\/p>\n<p>\u00c9 o ato penitencial; uma forma de purifica\u00e7\u00e3o para entrar no espa\u00e7o\/tempo sagrado. Dialoga com a minha pesquisa com os Penitentes. Reproduzi metaforicamente dois castigos que recebi de meus pais.<\/p>\n<p>Castigo da mam\u00e3e: Certa vez, \u201cdei l\u00edngua\u201d para minha m\u00e3e e ela cortou a ponta da minha l\u00edngua com um soco no queixo.<\/p>\n<p>A\u00e7\u00e3o perform\u00e1tica: implante lingual de um brinco com a inicial do nome da minha m\u00e3e (um tatuador introduziu, como um piercing lingual, um brinco de ouro da minha m\u00e3e. O brinco permaneceu na minha l\u00edngua at\u00e9 que terminasse a a\u00e7\u00e3o. Depois, foi retirado e guardado, ainda ensang\u00fcentado, numa caixa de j\u00f3ias);<\/p>\n<p>Castigo do papai: Como insistisse em desobedec\u00ea-lo, meu pai me a\u00e7oitou com um galho de ac\u00e1cia a ponto de correr sangue nas costas. Mor\u00e1vamos em Limoeiro do Norte.<\/p>\n<p>A\u00e7\u00e3o perform\u00e1tica: De joelhos, me autoflagelei com um galho de ac\u00e1cia vindo de Limoeiro do Norte. Ap\u00f3s a autoflagela\u00e7\u00e3o, o galho foi guardado dentro de uma caixa cir\u00fargica em a\u00e7o inox do meu pai.<\/p>\n<p>Sobre o &#8220;R\u00e9quiem para meus pais&#8221;<\/p>\n<p>No ano de 2009, desenvolvi, de in\u00edcio, solitariamente, e depois, em colabora\u00e7\u00e3o com o Projeto Balbucio e outros artistas uma s\u00e9rie de trabalhos de natureza perform\u00e1tica e instalativa que compuseram um r\u00e9quiem (homenagem aos mortos). Depois da morte da minha m\u00e3e, especialmente depois que meus irm\u00e3os e eu tivemos de organizar os objetos pessoais deixados por ela. Ali, v\u00e1rias ideias me ocorreram. Resolvi ent\u00e3o selecionar cinco ideias e fazer um \u201cR\u00e9quiem para meus pais\u201d.<\/p>\n<p>Tento refletir, a partir dos objetos pessoais dos dois, estes deposit\u00f3rios de mem\u00f3ria afetiva, as id\u00e9ias de vida e morte, eros e tanatos, dor, perda e renascimento.<\/p>\n<p>Parece m\u00f3rbido ou arte de div\u00e3. Talvez seja tudo isso. E por que a (minha) arte deveria evitar tais quest\u00f5es? \u00c9 estranho o modo como lidamos com a dor e a morte: negando-as. Todavia, nada \u00e9 mais natural ao homem \u2013 n\u00e3o o fato de sentir dor ou morrer, coisa a que outras formas de vida tamb\u00e9m est\u00e3o sujeitas \u2013, mas a consci\u00eancia delas.<\/p>\n<p>Concep\u00e7\u00e3o: Wellington Jr. (Tutunho)<\/p>\n<p>Categoria: Performance<\/p>\n<p>Assist\u00eancia de dire\u00e7\u00e3o: Andr\u00e9 Quintino, Chris Salas, Tobias Gaede<\/p>\n<p>Produ\u00e7\u00e3o: Projeto Balbucio, Antonio Gilberto Ramos Nogueira, Neile de Oliveira Castro Lima<\/p>\n<p>Ensaios fotogr\u00e1ficos: Analice Diniz, Antonio Gilberto Ramos Nogueira, C\u00e2ndido Filho, Chris Salas, Iana Soares, Igor Gazianno, Janaina Ribeiro, Lara Vasconcelos, Wellington Jr. (Tutunho)<\/p>\n<p>V\u00eddeos: Andr\u00e9 Quintino, Beatriz Furtado, Chris Salas, Francisco Peres, Tobias Gaede, Wellington Jr. (Tutunho)<\/p>\n<p>Webdesign: Andr\u00e9 Quintino, C\u00e2ndido Filho, Rafael Salvador<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/player.vimeo.com\/video\/75401292\" width=\"400\" height=\"300\" frameborder=\"0\" webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Data: 28\/10\/2009 Local: Casa da Bela Vista Evento: R\u00e9quiem para meus pais \u00c9 o ato penitencial; uma forma de purifica\u00e7\u00e3o para entrar no espa\u00e7o\/tempo sagrado. 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