{"id":2,"date":"2013-07-30T19:19:37","date_gmt":"2013-07-30T19:19:37","guid":{"rendered":"http:\/\/balbucio.com\/?page_id=2"},"modified":"2015-03-12T19:47:06","modified_gmt":"2015-03-12T19:47:06","slug":"sample-page","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/balbucio.com\/?page_id=2","title":{"rendered":"Sobre"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/balbucio.com\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/about.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-2087\" alt=\"about\" src=\"http:\/\/balbucio.com\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/about.jpg\" width=\"1000\" height=\"500\" srcset=\"http:\/\/balbucio.com\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/about.jpg 1000w, http:\/\/balbucio.com\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/about-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Projeto Balbucio foi um coletivo de artistas do Cear\u00e1 que entre 2003 e 2011 desenvolveu trabalhos com foco nas intercess\u00f5es entre Comunica\u00e7\u00e3o, Corpo e Arte. O grupo, que nasceu como um projeto de extens\u00e3o da Universidade Federal do Cear\u00e1, rapidamente expandiu suas atividades al\u00e9m dos muros da UFC. Em 2005, recebeu o pr\u00e9mio do Programa BNB de Cultura. Em 2006, foi premiado no III Encontro de Cultura e Arte da UFC. Em 2011, no Porto, apresentou &#8220;Aula \u2013 Das imbrica\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas entre cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica e pesquisa acad\u00eamica&#8221;, e em Aveiro, &#8220;Cores&#8221;. Em Fortaleza, o grupo participou do DeVERcidade com &#8220;Rei de Ratos&#8221; e &#8220;Boca a Boca&#8221; (2010), no Fortaleza 24H com &#8220;Fortalezas&#8221; (2008), na Bienal Internacional de Par em Par com &#8220;Glossolalic Machine #3 (Plugged): Bureau&#8221; (2008), no II Festival BNB de Artes C\u00eanicas com &#8220;Glossolalic Machine #1 (Plugged): Cenacula&#8221; (2008) e no Festival Palco Girat\u00f3rio com &#8220;Fiandeiras&#8221; (2005). Al\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o em importantes eventos da cidade, o Projeto Balbucio promoveu a &#8220;I Mostra Balbucio de Tecnologias Ordin\u00e1rias&#8221; (2010) no CCBNB, a &#8220;Casa da Santa&#8221; (2006) e os &#8220;Semin\u00e1rio [bawbus\u00b4iu] de Arte e Comunica\u00e7\u00e3o: ETC. Rapadura&#8221; (2006) e &#8220;Articula\u00e7\u00f5es&#8221; (2005). Uma de suas performances comp\u00f5e o acervo co Museu de Artes da Universidade Federal do Cear\u00e1 desde 2008, a &#8220;Glossolalic Machine #1 (Plugged): Cenacula&#8221;.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>*Em finais do m\u00eas de Setembro de 2003, cinco jovens altos e magros estavam sentados em cadeiras dispostas em um c\u00edrculo, virados para fora, descal\u00e7os, vestidos com macac\u00f5es industriais vermelhos e com meias-cal\u00e7a pretas que cobriam a cabe\u00e7a do topo at\u00e9 a altura do nariz. Eles tentavam, dessa forma, reproduzir o que seria uma vagina gigante formada por falos. Apenas um daqueles rapazes n\u00e3o tinha a cabe\u00e7a coberta com a meia, j\u00e1 que seus longos cabelos loiros tapavam todo o rosto, deixando \u00e0 mostra apenas nariz e boca.<\/p>\n<p>Cada um deles tinha um mealheiro de barro em formato de porco nas m\u00e3os \u2013 m\u00e3os que estavam vestidas com grossas luvas cinzentas, de aspecto industrial. O p\u00fablico movimentava-se ao redor daquele c\u00edrculo e, a cada intera\u00e7\u00e3o com os cinco, a cada tilintar de moedas nos mealheiros, um pulso, um som era por eles produzido. \u00c0 medida que os porquinhos enchiam-se, a linguagem dos anjos, aquela que transp\u00f5e o entendimento racional e sem\u00e2ntico, era sussurrada, libertada, balbuciada. N\u00e3o fosse a presen\u00e7a do p\u00fablico e sua interven\u00e7\u00e3o, n\u00e3o haveria dep\u00f3sito de moedas e, dessa forma, n\u00e3o haveria som. A m\u00e1quina n\u00e3o funcionaria.<\/p>\n<p>Foi na XVI Semana de Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Cear\u00e1 &#8211; UFC, que a primeira de uma s\u00e9rie de M\u00e1quinas Glossol\u00e1licas idealizadas pelo Prof. Dr. Wellington Junior foi apresentada. Glossolalic Machine #1 \u2013 Cenacula, chamou a aten\u00e7\u00e3o de alguns estudantes do Curso de Comunica\u00e7\u00e3o, que se juntaram \u00e0quele grupo de cinco rapazes, e iniciaram uma pr\u00e1tica constante da Pesquisa em Arte\u00a0 na universidade, os seus desdobramentos, as rela\u00e7\u00f5es com o corpo e as possibilidades da voz, mais concretamente, sobre o dom de l\u00ednguas [1]\u00a0 \u2013 a glossolalia [2]\u00a0 \u2013 tema da pesquisa de doutoramento do professor.<\/p>\n<p>As reuni\u00f5es desse grupo chegaram a receber mais de quinze pessoas. A ideia inicial, naquela altura ainda pouco n\u00edtida, era a de preparar o corpo, f\u00edsica e mentalmente, para novas performances, ao mesmo tempo em que se procurava aprofundar as discuss\u00f5es sobre Arte.<\/p>\n<p>O grupo come\u00e7ava a tomar corpo e, em determinado momento, surgiu a necessidade de um nome. Era preciso uma palavra que o identificasse e representasse, que definisse seu prop\u00f3sito e sua atividade. Mais rapidamente do que era esperado, foi poss\u00edvel chegar \u00e0 mesma opini\u00e3o compartilhada por Cr\u00e1tilo, sobre a justeza dos nomes, conforme apresenta Plat\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8220;Este nosso Cr\u00e1tilo, S\u00f3crates, opina que existe, naturalmente, uma designa\u00e7\u00e3o justa para cada um dos seres; e que o seu nome n\u00e3o \u00e9 aquele por que alguns convencionalmente os designam, servindo-se de uma parcela de sua linguagem; ao contr\u00e1rio, segundo ele, existe naturalmente, tanto para os Gregos como para B\u00e1rbaros, uma justeza de designa\u00e7\u00e3o id\u00eantica para todos.&#8221; (PLAT\u00c3O 1966: 5)<\/p>\n<p>Balbucio, sem vota\u00e7\u00e3o nem sorteio, como que surgiu [3] e foi aceito. Somente alguns meses depois, ao tornar-se uma atividade de extens\u00e3o oficial, vinculado ao Departamento de Comunica\u00e7\u00e3o Social da Universidade, transformou-se em \u201cProjeto Balbucio\u201d e desenvolveu suas atividades at\u00e9 finais de setembro de 2011, quando foi encerrado ap\u00f3s nove anos de produ\u00e7\u00e3o em diferentes suportes e t\u00e9cnicas.<\/p>\n<p>[1] &#8211; \u201cNo protestantismo, o surgimento do pentecostalismo evang\u00e9lico no come\u00e7o deste s\u00e9culo e seu reavivamento no final dos anos 50; no catolicismo, o surgimento da Revolu\u00e7\u00e3o Carism\u00e1tica Cat\u00f3lica (RCC) no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960 e sua afirma\u00e7\u00e3o no dec\u00e9nio seguinte, lembram-me a retomada, num n\u00edvel realmente consider\u00e1vel, de um fen\u00f3meno que Ot\u00e1vio Paz arrisca pensar com uma \u2018perman\u00eancia do esp\u00edrito humano\u2019: o \u2018dom das l\u00ednguas\u2019 ou como preferiu a ci\u00eancia moderna designar, glossolalia.\u201d (OLIVEIRA JUNIOR, 2000, p.17)<\/p>\n<p>[2] &#8211; Apesar da sua import\u00e2ncia, principalmente nos primeiros trabalho do grupo, a glossolalia n\u00e3o est\u00e1 presente, como bem diz Frota, \u201c(\u2026) em todos os trabalhos do Balbucio, mas assume um papel fundamental nas tem\u00e1ticas do grupo: \u00e9 ela que recupera as t\u00e9cnicas da vanguarda po\u00e9tica do s\u00e9culo XX, respons\u00e1vel por influenciar o desenvolvimento da poesia contempor\u00e2nea, fazendo refer\u00eancia \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o e reafirmando as infinitas possibilidades de apropria\u00e7\u00e3o e reutiliza\u00e7\u00e3o do passado na constru\u00e7\u00e3o art\u00edstica, permitindo a explora\u00e7\u00e3o de suas capacidades significativas e ampliando o universo das proposi\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas com o uso da voz.\u201d (FROTA, 2008, p.34)<\/p>\n<p>[3] &#8211; Dito pelo <a title=\"Artistas\" href=\"http:\/\/balbucio.com\/?page_id=33\" target=\"_blank\">Tobias Gaede<\/a>.<\/p>\n<p>&#8211; FROTA, Greta (2008) Corpo Livre &#8211; Um estudo sobre performances do Projeto Balbucio. (Monografia apresentada para a obten\u00e7\u00e3o do grau de bacharel em Comunica\u00e7\u00e3o Social) Fortaleza: Universidade Federal do Cear\u00e1.<br \/>\n&#8211; OLIVEIRA JUNIOR, Antonio Wellington (2000) L\u00edngua de Anjos. S\u00e3o Paulo: Annablume Editora.<br \/>\n&#8211; PLAT\u00c3O (1966) <i>Cr\u00e1tilo<\/i>. Rio de Janeiro: S\u00e1 de Costa.<\/p>\n<p>*Texto retirado de OLIVEIRA FILHO, Jo\u00e3o Vilnei de (2011) Rela\u00e7\u00f5es entre jogo e arte &#8211; o Projeto Balbucio e a transi\u00e7\u00e3o entre as performances &#8220;cores berrantes&#8221;, &#8220;cores ninja&#8221; e &#8220;cores&#8221;. <em>in<\/em> OLIVEIRA JUNIOR, Antonio Wellington [org] (2011) A performance ensaiada &#8211; ensaios sobre performance contempor\u00e2nea. Fortaleza: Express\u00e3o Gr\u00e1fica e Editora. ISBN: 978-85-7563-945-0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O Projeto Balbucio foi um coletivo de artistas do Cear\u00e1 que entre 2003 e 2011 desenvolveu trabalhos com foco nas intercess\u00f5es entre Comunica\u00e7\u00e3o, Corpo e Arte. O grupo, que nasceu como um projeto de extens\u00e3o da Universidade Federal do Cear\u00e1, rapidamente expandiu suas atividades al\u00e9m dos muros da UFC. 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